sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Mulheres Que Fizeram História

Olga foi homenageada no livro de Salma Bandeira DESCOMPASSO DO TEMPO
Dizem que coincidência não existe, acredito. Não foi por acaso que no dia 07 de Setembro do corrente ano, Salma Bandeira nos brindou com a sua doce leveza, reafirmando o que disse Fernando Pessoa: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.
Salma, na sua brandura, com voz mansa e meiga, mostrou que ao som do violino de Clarice Amazonas, com acordes perfeitos, poderia dirigir uma delegacia em defesa das mulheres vítimas da violência doméstica e da brutalidade dos homens, sem perder a compreensão de que aqueles, na maioria dos casos, são vítimas também de seus próprios pais; é o perverso ciclo da violência. Não é à toa que ela também é psicóloga.
Em teu livro Salma, na p. 34, chamaste-me “a guerreira do século XXI”, agradeço-te. Sinto-me honrada, principalmente pela harmonia e beleza das tuas palavras ao comparar-me com Joana D’arc, com um destino mais afortunado. Será? Talvez perecer na fogueira da incredulidade, tendo como destino a morte que a arrebatou do sofrimento terreno por a chamarem de feiticeira, tenha sido menos doloroso, pois com certeza sua alma foi acolhida pelos anjos.
Diferente de outra Olga, a Benário, que amamentou sua filha com sangue para que não a arrancassem dos braços e com um fim parecido com o de Joana D’arc, foi assassinada, não mais na fogueira, e sim, num campo de concentração aguardando pela câmara de gás; de quem tenho o orgulho e sempre honrei o nome, Olga, que significa “santa guerreira”. Jamais quis ser santa, mas guerreira eu sou. Não sei se a “mensageira prometida” Salma, ou a mulher esperada do milênio.
Tentei sim, resgatar um mundo de preconceitos e de trevas, demonstrando o que é uma polícia cidadã, que sabe cumprir o seu papel convivendo com o mal, com a morte, com a violência contra criança, mulheres e idosos, mas sempre me orgulhei e ensinei àquelas que tive como alunas, que usássemos a inteligência e a astúcia feminina, mesmo que portássemos a arma que o Estado coloca em nossas mãos; o verbo e o rigor na hora do interrogatório, pautadas no mais alto senso de justiça para não mandarmos inocentes para a cadeia, mas que continuássemos usando pérolas e amando as rosas.
Hoje a Delegacia da Mulher é uma realidade. Fez aniversário, 25 anos, Jubileu de Prata. Momento que aproveito para exaltar a coragem, altivez, persistência, perspicácia de todas as mulheres que enfrentaram o grave preconceito da maioria dos homens e por incrível que pareça, de grande parte das mulheres.
Mas é assim, todo aquele que lança uma nova ideia está sujeito a ser desacreditado. Fomos a 2ª delegacia inaugurada, São Paulo saiu na frente por puro acaso, vez que em 1982 já lançávamos a ideia para o então Secretário Sérgio Higino e o inesquecível Delegado Mauni Figueiredo, grande incentivador e defensor das mulheres policiais.

Salma Bandeira ladeada por seus filhos Zilma e André (Foto Fernando Machado)

A admirável delegada, psicóloga, escritora, enfim, a mãe, a avó, a doce mulher que veio lá do Norte, tem sangue guerreiro nas veias e na sua poesia demonstrou sempre que ser delegada de polícia combina sim, e muito bem, com a elegância e beleza feminina.

Um comentário:

Isabelle Câmara disse...

de fato, mãe, és uma grande guerreira. mas confesso que tua melhor obra, na minha opinião, são teus filhos: homens e mulheres incríveis que têm em vc um grande espelho.