quinta-feira, 6 de maio de 2010

Mãe Tem Cheiro de Flor...

Alguns lembram da velha máquina de escrever, hoje substituída pelo computador, outros lembram daquele sapato velho que aquecia-lhe os pés nas noites frias de inverno, hoje substituídos por sapatos de marca. Ainda há aqueles que sentem saudade das mesas com 12 lugares onde à cabeceira sentavam-se sempre o patriarca e a grande matriarca e os filhos e netos, todos falando ao mesmo tempo arrancando sorrisos amorosos dos pais e avós.
As “coroa”, “véia”, “velha”, mãe”, “minha rainha”, “meu amor”, ou simplesmente “mãinha” como os bons nordestinos falam, no tacho à beira do fogão vêem as suas mães fazendo doce, cocadas, bolos, tapioca quentinha com coco, canjica, milho-verde e pamonha, todo mundo com a mão na massa. No São João é uma festa só! E à noite na beira da fogueira batata-doce assada na brasa, milho assado e queijo de coalho, soltar fogos só “estrelinhas” e “track de veia”. Era esse o sentido da família. O sentimento de ser mãe, as histórias contadas, lendas urbanas ou a história da carochinha, mas sempre demonstrando que o amor estava presente em cada gesto, até mesmo no castigo. A doce maneira “dura” de educar.
E o enxerimento da menina querendo se meter em conversa de adulto, doidinha pra saber daquela história da menina que tinha ficado “prenha”? Não precisava grito e nem puxão de orelha, bastava um olhar, e de fininho a menina saía, pois sabia que se ficasse talvez o “couro comesse”.
É, a saudade aperta quando a gente lembra dos belos vestidos de saia rodada de manga coquinho e um grande laço nas costas feito por nossa mãe que sentia prazer em sentar-se à máquina de costura para nos embelezar.
Ai que saudade me dá, daquela ladeira de Santos Reis, daquela casa com o jardim mais belo da cidade de Natal, com rosas cuidadas não por jardineiros, mas por aquelas belas mãos manicuradas da minha mãe, que tinha nome de flor: Margarida.
Talvez por mais que dediquemos amor às nossas mães, só tenhamos a exata dimensão do quanto ela é, foi e será importante em nossas vidas, quando sentimos falta de um colo, de uma suave mão em nossas cabeças, acalentando-nos nos momentos difíceis da vida.
Hoje em que escrevo para todas as mães, principalmente aquelas que não pariram materialmente, e sim, os filhos do coração, gostaria que todas nós fizéssemos uma reflexão: como tratamos nossos filhos, será que da mesma forma que fomos tratados por nossas mães? E como tratamos as nossas avós? Essas às vezes nem tão doces velhinhas, mas que trazem no rosto as marcas da experiência da vida, que devem ser respeitadas, por sua história, por sua vida, ter sempre suas mãos, o seu rosto e sua cabeça por nós afagadas pois, os idosos precisam mais do que nunca ser amados.

Um dia, estaremos lá no lugar delas, com certeza todos dirão: eu sou uma boa filha, ou uma boa neta. É bom que se reflita para que não choremos mais tarde por não termos doado o amor como recebemos. E se não recebemos tanto quanto queríamos, ou gostaríamos, devemos ter o discernimento de que nem sempre grandes mulheres souberam o que é ser amadas, e por isso mesmo sem se aperceberem, amam às vezes até desesperadamente, mas não sabem demonstrar esse amor com gestos físicos como um toque de leve no rosto ou em nossas mãos. Se você puser a sua mão na mão de sua avó, com certeza um momento mágico acontecerá. A magia do toque leva-nos a ver o outro através do coração.

Existe uma lenda, um pouco perversa, que fala das madrastas a quem também presto minha homenagem, principalmente algumas que conheço que criaram com amor de mãe biológica os filhos do seu amado.

A todas as mães que estão com os filhos por nascer, amando-os já em seu ventre e aqueles que já vieram ao mundo, desejo que sejam muito amadas.

4 comentários:

Unknown disse...

dra; olga gostaria de parabenizar a senhora pq seus trabalhos são maravilhosos , continue sempre assim. um forte abraço , dilsinho de jaboatão.

Isabelle Câmara disse...

a minha tem cheiro de luz
gosto de força
olhos de amor
ouvidos divinos
tato de coragem

Isabelle Câmara disse...

faltou o "tchutchuquita", né? :P

Sirley disse...

Olga,
Mãe tem lembrança de feto, cheiro de proteção e gosto de amor.
Abraços,
Sirley